Mensagem da Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos

Ana Paula Martins
Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos

A convenção que importa.
Temos muito para fazer se queremos alcançar um pacto na Saúde, como nos solicitou o Presidente da República. Os profissionais e as suas Ordens expressaram a vontade de contribuir para esse amplo entendimento, reuniram algumas vezes, prometeram consensos, mas, no concreto, ficámos no mesmo sítio. Ninguém se opõe à ideia e, em geral, até se considera o sector da Saúde aquele que mais une os portugueses, além de ser exemplo máximo das conquistas da democracia; mas temos os partidos políticos pouco entusiasmados em assumir pontos comuns e algumas organizações assistenciais espelham desmotivação e apatia. De forma uníssona e afinada consideramos que o SNS precisa de mais orçamento. Está à vista de todos. Mas esbarramos no silêncio quando nos centramos no essencial que é colocar o cidadão no centro do sistema. Ou seja: tendemos sempre a olhar para a Saúde através dos nossos olhos que, sendo legítimos, não são únicos nem os mais importantes. Porque o sistema de saúde e o SNS existem para servir as pessoas. Nós, os profissionais da Saúde e as suas organizações, se pretendemos contribuir para melhor saúde, mais próxima, mais rápida e mais inovadora, temos de adotar uma atitude positiva, de colaboração interpares, e propor com racionalidade o que melhor serve os portugueses, garantindo-lhes os cuidados de que precisam e a que têm direito, com qualidade garantida e com liberdade de escolher quem, dentro do sistema, os serve melhor. Esta é a liberdade que se tem de assumir numa democracia. Temos que olhar mais a factos, a resultados, e menos a preconceitos e verdades adquiridas. Mantendo, no essencial, um modelo que, sendo universal, promove a solidariedade. O SNS é a matriz do sistema de saúde em Portugal. Ao longo de quase 40 anos foi concretizado por todos para não deixar ninguém para trás. É inadiável a reflexão sobre o seu futuro, porque faz parte do amanhã dos portugueses. Não podemos perder mais tempo. É isso que o País exige de nós.”