Mensagem do Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro

João Oliveira
Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro

“Integrar uma iniciativa nacional que tem como finalidade definir um novo rumo para a saúde em Portugal é, objetivamente, sentirmos que há a necessidade de mudança. Sabemos que a conjuntura económico-financeira do país, e apesar das melhorias significativas nos diferentes setores, passa ainda por medidas de elevado rigor que influenciam todos os setores nacionais. A saúde, enquanto área forte e indispensável para os cidadãos, não está fora desta conjuntura nacional sendo, por isso, necessário a reflexão profunda sobre este tema. Mas mais do que a reflexão, é fundamental a mudança efetiva de alguns paradigmas atuais que existem neste setor e que travam o desenvolvimento do serviço nacional de saúde (SNS). Se, por um lado, a forte restrição orçamental e o subfinancinamento das Instituições de Saúde, nomeadamente no que diz respeito ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), são fatores que levam a medidas gestionárias muito pensadas e equilibradas pelos responsáveis da gestão, por outro lado conduzem a um menor investimento e, consequentemente, a menos inovação e desenvolvimento que, em última instância, não vão de encontro aos pressupostos do SNS.
Aliado à forte restrição orçamental, encontramos a falta de autonomia dos gestores em saúde que, e é o caso do CHTMAD, mesmo deparando-se com dificuldades financeiras tentam transformar esta falta de autonomia (e muitas vezes, de forma “destemida”) para que seja assegurado, efetivamente, “o acesso universal, compreensivo e gratuito aos cuidados de saúde”. Sabemos o que queremos para o CHTMAD e para a sua população, não sabemos, no entanto, qual é o projeto de presente e futuro do atual SNS e, sem este rumo, não podemos querer que o “topo da casa” esteja estável sem uma base forte e consistente. As mudanças estruturais, a procura de soluções para captar mais recursos humanos, a força para encontrar o equilíbrio económico e a reorganizaçao do CHTMAD, têm sido medidas prioritárias para este CA, mesmo com uma política de investimento muito burocrática e pouco autónoma. Está na hora de pararmos e, em conjunto, encontrarmos soluções efetivas para um SNS que pretendemos mais equilibrado e que envolva todos os parceiros, de diferentes setores, públicos ou privados. Apenas trabalhando em rede podemos ter um sistema de saúde focado no utente. O SNS foi criado para um país. Um país que não deveria ter norte ou sul, interior ou litoral. Um país que deve ser um e por igual. A consolidação de um projeto de saúde forte e promissor não pode ser construído por partes, onde cada parte tem a sua visão, mas que não se encaixam num todo.
Este é o momento de agarrarmos esta iniciativa nacional e, com esta Convenção, reunirmos verdadeiros esforços para identificar e expor os problemas e, em conjunto, encontrarmos soluções. Esta Convenção deve ser encarada com uma plataforma de diálogo e partilha de experiências onde, em conjunto, podemos definir um novo rumo para a saúde em Portugal. Aguardamos com expectativa esta Convenção Nacional da Saúde, acreditando que as mudanças fazem parte de um futuro, certamente, mais promissor, equilibrado e autonómo.”